23 de maio de 2017

sincericídio: a verdade por trás dos sumiços seletivos

Este blog nunca teve periodicidade que aguentasse por muito tempo. Com ele nasceu um hobby e logo que o hobby virou uma parte importante da minha vida profissional, o blog pereceu.

As frases acima e título estavam salvos como rascunho desde 22 de maio de 2016. Ontem, exatamente um ano depois, eu resolvi abrir o painel de controle do blogger pela primeira vez depois de três meses e me deparei com essa coincidência (e comentários recentes, que eu deveria responder).

Eu cheguei em casa fora de si. Perdi meu centro depois de meses de estabilidade, um processo lento e de pequenos avanços que haviam me permitido sair do armário e conquistar a imagem (pelo menos interna) de que não sou mais a mesma, graças à venlafaxina. Antes de conhecer o alívio de me enxergar como alguém equilibrada, a possibilidade me parecia inexistente. Ontem, algo embaçou minha vista. Não me vejo mais com clareza.
outra forma de lidar com a solidão: olhar umas fotos.
Foto: Flávia Schiochet/Arquivo pessoal
Todas as terças eu saio de casa enquanto meu namorado ainda dorme. Beijo todo o rosto dele, num misto de acordá-lo e me despedir, porque sei que só o verei na sexta-feira e que se algo acontecer na minha cabeça nesse meio tempo, eu precisarei me bastar. Havia meses que estes dias e noites a sós faziam eu me sentir tão bem quanto estar acompanhada, mas hoje eu pressenti que talvez seria difícil me concentrar em qualquer coisa. Eu procrastino meus deveres fora do trabalho quando estou bem; isto é do ser humano. Mas quando estou mal, a procrastinação deixa de ser prazerosa. Vem com ela a culpa e um sentimento paralisante ou enérgico: tem vezes que produzo bastante em pânico, mas o desgaste nunca valeu a pena.

Às 7h, virando a chave na porta, dei um suspiro ao ler a notificação na tela do celular – tenho novos episódios dos podcasts que sigo para ouvir. São coalhados de piadas, vozes familiares e uma linha de pensamento para prestar atenção. Gosto dos que duram duas, três horas. A companhia virtual me ajuda a passar o tempo lavando louça e roupa, tirando o lixo, arrumando a cama e a escrivaninha sem querer deitar no chão e, talvez, chorar. Eu espero nunca mais ter esse ímpeto.

Em momentos como este, me sinto esmagada por todas as coisas que preciso fazer ou que já deveria ter feito, por toda a capacidade que sei que tenho, mas que não coloco em prática por medo de perder tempo e de me arrepender de ter feito um texto para um projeto pessoal que para a dissertação. Ou para o outro blog. Ou lido algo novo para um artigo acadêmico, para uma pauta de revista. Ou ter esfregado a privada – qualquer coisa mais útil que ultrapasse meu umbigo.

16h10, em casa de novo, dou o play antes mesmo de largar a bolsa. É uma das formas que encontrei para lidar com a solidão: personagens desconhecidos, fictícios ou não, com quem se cria um laço platônico. Seriados, livros, filmes. Vale tudo.

A verdade é que eu preferiria não escrever aqui mesmo quando tenho um texto pronto na cabeça porque isso não vai fazer esse blog voltar, nem vai me dar gás para as obrigações. Mas talvez me alivie e é no talvez que me abraço. Play de novo, vou encher a casa de vozes.

15 de agosto de 2016

a depressão é uma despensa cheia de comida podre

Foto: Caravaggio in Cucina/Reprodução
Você chega em casa – a mesma casa em que morou a vida inteira – e tem um cheiro podre no ar. Você abre a geladeira, os armários, as janelas, queima um incenso. É a primeira vez que você sente esse cheiro. Esse tempo todo você dizia às visitas que elas pisaram em merda de cachorro.

29 de dezembro de 2015

"um milagre de natal", a última crônica do caderno g

Na verdade, o título deste texto no Caderno G era "Um conto de Natal". Mudei porque achei que seria muita heresia usar a palavra "milagre". Agora já não acho mais isso e mudo aqui novamente para a minha ideia inicial. Você pode ler todas as crônicas que publiquei na Gazeta do Povo clicando aqui ou ver o link deste texto original clicando aqui.

Decidi parar de escrever para o caderno porque em 2016 começo um mestrado em Turismo na UFPR e não terei mais tantas horas para lamber um texto. Relutei em terminar este (e não é nem de longe o que imaginei que seria um último texto meu qualquer espaço que fosse) e também demorei uma semana para postar aqui, pois não é fácil desapegar de uma experiência tão boa quanto esta. Gostei demais de ser colunista e gostei mais ainda de reler alguns textos publicados nesses nove meses. Quem escreve sabe que a cada minuto que passa o texto vai ficando mais mambembe e a gente passa a ver só defeitos nele. Mas tem uns aí que eu acho que vou gostar por muitos meses ainda e isso é gratificante.

8 de dezembro de 2015

"tango no hortifruti", coluna do caderno g

No texto desta quinzena, escrevi sobre um assunto, mas na verdade falo sobre duas coisas. Sei que vocês são espertos. Se quiserem ler no link original, aqui está. Se quiserem ler tudo o que publiquei no Caderno G como colunista, clique aqui.

Tango no hortifruti 

O globo ocular consiste em uma esfera coloidal, córnea, íris, pupila, retina e mais um monte de outras estruturas e espaços delicados metidos no nosso e no crânio de outros bichos. É uma gelatina que se mexe sem parar e, mesmo frágil, movimenta músculos e nervos querendo eles ou não. É o tecido conjuntivo mais sarado depois do abdômen da Pugliesi.

4 de dezembro de 2015

episódios 7, 8 e 9 do podcast Ouvindo Abobrinhas

Saíram no dia 1º de dezembro três novos episódios do Ouvindo Abobrinhas, um podcast sobre vegetarianismo feito por mim e pelo Chile, meu namorado. Na primeira semana de janeiro tem mais!

Em breve vamos lançar uma proposta de colaboração financeira para que possamos melhorar a qualidade e a periodicidade do podcast. E em breve este blog volta a ter posts com receita, foto e texto, prometo.