26 de abril de 2011

marmita: talharim com molho de tomate seco, azeitonas e ricota




Terça-feira, 26 de abril, 21h: tô com meia cebola roxa numa mão e uma faca de serra na outra cantando "Pinball Wizard" do The Who como se fosse cega feito o Tommy.

Duas horas mais cedo: tô empurrando um carrinho no Angeloni maldizendo o preço do tomate, da abobrinha, da carne, do macarrão...

Mesma terça-feira, fim da tarde: perdi o ônibus e tô praguej... acho que chega de reclamação regressiva.


Se não fosse essa minha intolerância com tudo na vida, se não fosse essa irritação latente, a raiva do taxista que não me ajuda a tirar as coisas do carro, esse blog não existiria. E não existiria porque eu não cozinho quando tô tranquila, feliz, com vontade de abraçar o mundo. Nessas horas de nirvana humorístico, eu quero mais é passear, comer fora, ver gente, conversar. Quando eu tô chata mesmo e não quero falar com ninguém, tô brava de fome ou triste, eu cozinho. Eu cozinho porque é uma atividade que me faz esquecer tudo que me chateia e a única preocupação que eu tenho é não queimar o alho. Diminui a dor, a tristeza, a sensação de que o mundo não é justo, essas crises que a gente sempre tem.

Se eu cozinhar e depois ligar pra minha mãe, conversar por horas debaixo da coberta com um chá de camomila do lado, aí sim a terapia tá completa. Eu cozinho porque é uma forma de cuidar de mim. De me acalmar. De fazer as coisas voltarem pro lugar na minha cabeça.

Depois ainda tem mais coisa automática pra fazer: lavar a louça, limpar o fogão, fechar a tampa, colocar a toalhinha, secar a panela e fechar a janela. Não me importo com mais nada no mundo se meu macarrão estiver no ponto e se o bolo der certo. Faço até uma dancinha, é uma alegria sem fim. Geralmente demoro pra comer -- fazer é que é bom. Se a minha urgência fosse comer, não iria me dar o trabalho de passar uma hora ou duas cozinhando antes de me atracar com um prato cheio de risoto ou macarrão. Compraria tudo pronto, pediria delivery, me entupiria de salgadinho.

E sempre tem aqueles dias em que tudo parece ir bem e no fim acontece algo que te chateia, aí nada de bom que aconteceu antes adianta pra balancear. Terça foi meio assim, de leve, mas pela inércia não era pra ter sido. Aí rolou todo esse ritual.

Não fotografei o prato na hora, não comi em seguida. Arrumei minha marmita, botei na geladeira e fui deitar.

Agora sim, quase uma semana depois, com foto do Chile e um relato:

250g de talharim fresco
1 ramo de alecrim fresco

Fervi água, acrescentei o macarrão, o alecrim e sal. Em três minutos tava pronto.


1 dente de alho bem picadinho
1/2 cebola roxa em tiras
tomate seco picado (acho que usei uns 10)
12 azeitonas picadas
2 colheres de sopa de molho de tomate
ricota
sal, salsinha, açafrão e chili

Usei o óleo do tomate seco pra fritar o alho, depois a cebola e depois acrescentei os tomates e a azeitona. Por fim, coloquei o molho de tomate e os temperos e mexi bem. Desliguei o fogo, adicionei a ricota e misturei com o macarrão.


Levei pro trabalho com uma abobrinha pequena em cubos, refogada no alho, cebola e tomate.





Aqui está uma versão mais recente. Essa eu fiz pro meu bonito para o almoço de domingo. :)

3 comentários:

  1. Isso ficou, sinceramente, com uma cara de tão, mas tão bom.
    De Confort Food <3

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  2. Sinto que rolou toda uma técnica pra enrolar/ posicionar o macarrão.
    Tá bonito.

    Eu cozinho com gosto quando tô serelepe ou puta da vida.
    Se estiver triste, tudo sai errado, aí já viu o chororô piorando...

    Prometo um pão de canela esperto pra quarta que vem, que tal?
    Será que a gente consegue jogar um pouco de conversa fora?

    Beijos.

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  3. Pior que não, Flora. Foi o pote de marmita que deixou o macarrão nesse formato, hahaha!

    Eba, pão de canela! Vai dar tempo, sim: de madrugada, hehe. :)



    Adri, tava bem bom, modéstia à parte, haha.

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