5 de outubro de 2014

a vida em camadas

A primeira lasanha. Gigante.


Enquanto escrevo isso bato o queixo debaixo de um cobertor sintético da mesma cor do sofá. Visto tantos casacos quanto é possível sobrepor e, curiosamente, todas as peças são avermelhadas. Pareço um soldado ensanguentado tentando se camuflar em uma duna de areia. Dizem que esta é a primeira semana de outubro. (Se estão mentindo, jamais aceitarei a verdade. Já fiz planos para o meu aniversário e ficaria extremamente decepcionada se ainda fosse junho.)
Viver em Curitiba me trouxe muito conforto, pensando no meu lado (anti-) social. Eu adoro ficar em casa e não ter que fazer contato visual com a caixa da padaria ou na fila do banco (pensando bem, essa parte é deprimente e eu sou péssima). Gosto também de poder usar preto e cinza em todas as estações sem parecer gótica. E de poder fazer tudo a pé pelo centro da cidade. Mas essa amplitude térmica maldita e a constante temperatura abaixo de 15 graus C me tiram do sério. Eu não sou eu mesma com o frio. Eu viro o demônio do mau humor. Não me peça pra sair de casa quando eu estou com frio. Um banho e uma lasanha são as únicas coisas que farei nestas condições. E me embrulhar nesse cobertor bege. 
Quando São Pedro acorda bem disposto e mete 30 graus C na nossa cuca, eu também não sou a mesma. Passo a reproduzir mentalmente aquele refrão dúbio dos anos 1990 - mentalmente que é pra ninguém me censurar. Enquanto o Cumpadi Washington recita "desce mais, desce mais um pouquinho" na minha cabeça e eu desejo poder caminhar duas quadras sem desidratar, eu sei que lá em cima das nuvens tem um velho com uns lençóis amarrados e Rider preparando uma massa polar para chegar assoviando na minha janela. Por falar nisso, meu beiço rachou, São Pedro. Obrigada.

Da segunda vez, fiz três pequenas.


Lasanha que vale por um cafuné
Rende uma lasanha que serve até cinco pessoas (sou friorenta, mas não sou egoísta também)

1 + 1/2 xícara de PTS miúda (pode usar outra coisa no lugar se não quiser comer soja. Berinjela deve ficar bom)
1 xícara de caldo de legumes caseiro ou água
de 1 a 2 latas de tomate pelado (depende se você quiser mais tomate ou não. Se for época de tomate, cerca de 8 tomates grandes e bem maduros devem dar conta pra essa receita)
5 dentes de alho bem picadinhos
2 cebolas picadinhas 
azeite de oliva para refogar
louro, sal, pimenta-do-reino e alecrim para temperar
açúcar para corrigir a acidez do molhos tomate
10 corações de alcachofra cortadas em quatro 
um punhado de nozes moídas
massa para lasanha (uso uma de sêmola pronta)

Comecei refogando a cebola com azeite de oliva e depois acrescentei um pouco de sal. Aí entra o alho, o louro e refoga mais. Na sequência, a proteína de soja. Ó, eu não hidrato a soja miúda e ela não fica com gosto forte. Confia e vai!
Depois de refogar bem tudo isso junto, coloco aos poucos o caldo de legumes e mexo. Por fim, coloco os tomates e corto grosseiramente com a colher e misturo tudo. Eu gosto com mais molho, então tasco uma lata a mais. Deixo ferver, reduzir um pouco o líquido e desligo. Corrijo o tempero com sal, pimenta-do-reino e açúcar se estiver muito ácido. 
Vou pra massa: fervo água em uma boca do fogão em uma forma de alumínio, daquelas de fazer cuca, e coloco as lâminas de massa para cozinhar previamente. Monto a lasanha com a seguinte sequência: molho, alguns pedaços de alcachofra e massa pré-cozida (e assim por diante). Ela fica molenga e rasga fácil, mas no fim sempre dá certo. Finalizo com molho, nozes e alecrim e asso em forno por meia hora a 200 graus C. Enquanto assa, coloco um banquinho na frente do fogão e aproveito o calor. Brr!

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