11 de agosto de 2015

chocolatinho metido a besta


À esquerda, recém-saídos da geladeira e os quadradinhos já desenformados. Fotos minhas.
Tem dias em que acordo com duas mãos esquerdas. Derrubo prato antes das oito da manhã, tomates ergonômicos, talheres (sempre no plural pra fazer mais barulho) e, pra variar, ensabôo demais uma panela gigante e depois não consigo pegá-la para enxaguar. Na casa, toca a sinfonia do caos. Felizmente, pouca coisa quebrou até hoje, mas grudou em mim a fama de desastrada.



Às vezes a trapalhada é mais sutil. Como quando fui fazer o brigadeiro que minha mãe preparou há algumas semanas e não cheguei nem perto nas quatro vezes em que me arrisquei (levei a sério a tarefa). Ficaram radicalmente diferentes, tanto no sabor quanto na textura. Parecia até que tinha engrossado leite com amido – sabem como? Fica meio farinhento, a massa fica macia, mas quebradiça. Talvez seja o cacau em pó, que não tenho certeza se é puro; essa é uma das coisas que a gente põe em risco quando compra a granel. Não sei. Só sei que me dei mais uma chance. Aí se der errado, desisto e aprendo a conviver com a raridade dele.

E o que se faz quando tudo que se faz dá errado? Tenta-se algo que nunca tentou porque, se errar, tudo bem, já se está amaciado pela inércia. Então fui fazer uma coisinha que queria tentar há muito tempo. Na verdade, duas: estou me entupindo de brigadeiro (o farinhento do cacau em pó duvidoso) neste momento.

Derretendo o chocolate em banho-maria. Usei um sem leite, mas vinha muito açúcar. Recomendo que escolha um que saiba que é bom. 
chocolatinho metido a besta
As medidas desta receita estão aproximadas. Na hora achei que não precisaria medir porque iria dar errado. Esta flor de sal que ganhei há muito tempo e estava me enrolando para usar – não dá pra escolher o melhor momento, tem que quebrar esse tabu e usar nos mais duvidosos mesmo.

Talvez a pitada não tenha sido tão tímida. Forma de silicone ajuda muito na hora de desenformar.

1 xícara de avelãs
200 g de um chocolate que você adora (usei um que não gostei muito porque vinha com muita adição de açúcar, por isso não indico a marca)
sal ou flor de sal (opcional)


Torre as avelãs no forno a 200 graus C por 15 minutos ou até ficarem crocantes e douradas. Derreta o chocolate em banho-maria enquanto tire as cascas das avelãs ainda quentes. Coloque mais ou menos cinco em cada espaço da forma e acrescente uma pitada muito tímida de flor de sal em cada quadradinho. Não é necessário usar sal ou flor de sal, eu coloquei porque isto ajuda a ouriçar as papilas gustativas e apurar o sabor das coisas, inclusive de doces. Mas funciona sem também. Cubra com o chocolate derretido e deixe uma hora no congelador. Desenforme e guarde na geladeira. 


Levando doçuras pro trabalho: uns quadradinhos e um leite vegetal com cacau e açúcar. Caprichando na escovação para não ter cáries.
Três coisas que você deveria saber sobre esta receita antes de fechar esta janela:

1. resolvi que deveria fazer logo isto quando vi que a Bela Gil postou uma barra chiquérrima de Paris no seu instagram e fiquei passando vontade porque meu Sahne-Nuss trazido do Chile tinha acabado;

2. nunca temperei chocolate e não tenho a mínima vontade de fazer todo este rolê para obter um chocolate mais brilhante, crocante e tudo o mais. Mas se você sabe e gosta de fazer isto, faça! Faça sempre melhor e mais caprichado e me conte aqui nos comentários ou lá na fan page. Dei uma googada rapidinho e achei esse blog ensinando com uma linguagem bem acessível (sem contar o nome ótimo).

3. qualquer castanha, fruta passa ou borogodó vai ficar bom nessa receita. O importante é não ter umidade e cuidar pra não pingar água no chocolate e cagar tudo. No dia eu só tinha avelã, mas planejo fazer misturinhas no futuro. Qualquer formato de forma serve também. Eu usei uma de silicone porque facilita muito na hora de desenformar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário